Cartas

Escrita criativa/escrita para apropriação de técnicas e modelos

Desafio: escrita de uma carta da Andorinha Sinhá ao Gato Malhado
(trabalho integrado no estudo da obra O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá)

     “No terceiro dia de outono, o Pombo-Correio atirou-lhe de longe (cadê coragem para aproximar-se?) uma carta. O Gato a leu tantas vezes que até a aprendeu de memória. Uma carta triste e definitiva enviada pela Andorinha Sinhá. “Uma andorinha não pode jamais casar com um gato.” Dizia também que eles não deviam mais se encontrar. Em compensação falava que jamais fora feliz exceto no tempo em que vagabundeava com o Gato Malhado pelo parque. E terminava: “da sempre tua Sinhá”.
                     Jorge Amado, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá


       Tronco da Vergonha, 16 de Fevereiro de 2010
     


      Querido Malhado...

     Acho que a culpa foi do destino...que nos cruzou em nossos caminhos! Por isso agradeço-te pois proporcionou-me os melhores momentos de toda a minha curta vida de andorinha.
     Mas tenho que encarar este acontecimento como um capítulo, e está na hora de mudar de página. Um novo capítulo espera por mim...
     Sei o que tencionas fazer para acabar com o teu sofrimento, não digo para não o fazeres pois apenas quero o melhor para ti, jamais quererei que vivas amargurado pelo passado e enraivecido com os animais do parque.
     Destrói-me por dentro saber que cultivámos um amor impossível de colher, nada tínhamos a nosso favor, apenas a nossa poderosa paixão, mas que infelizmente de nada serviu.
      Como sabes, casei com o Rouxinol, ninguém imagina a tortura que foi vestir-me de noiva e saber que quem me esperava no altar não era quem o coração queria! Não penses que desejo o Rouxinol, pois é o teu nome que tenho gravado no coração.
      Jamais te poderei demonstrar em palavras o que sinto, também é impossível dizer-te o quanto te agradeço por tudo.
      Mas está na hora de seguir a razão e calar o coração. E por muito que me custe dizer, vamos seguir caminhos diferentes... gatinha para a frente para eu poder voar para trás.

                                              ...da sempre tua Sinhá

P.S: Tenho saudades tuas, mas não são saudades boas de se sentir...
                                                                                       
 Mariana Gonçalves, nº11   8ºA

Desafio: escrita de uma carta-despedida do Gato Malhado

Parque, 17 de Fevereiro de 2011

        Caros não amigos,

        Ficareis contentes por saber que isto é uma carta de despedida: não ouvireis mais nada sobre mim no resto das vossas curtas vidas. Festejai caros arrogantes e fofoqueiros do parque que fizeram a minha vida num inferno!      
        Querereis, no entanto, saber quem cometeu as últimas barbaridades do parque? Eu! Revoltado com todas as injustiças que vós cometeis uns aos outros! Atento, observei cada dia do parque, e é repugnante pensar que ninguém tem um amigo, sem ser o próprio umbigo.
        Bem, reforçarei a minha despedida desejando uma “boa sorte” à Andorinha, com a sua vida ordinária como um pássaro, e dizendo um “trata-la mal e ‘tás feito comigo”ao Rouxinol.
        Resta-me, então, dizer que as culpas do meu repentino desaparecimento são da pessoa que fez as leis da natureza e das latinhas “Gourmet” que me deram a maior diarreia que já tive.


                                                        Sem afecto,
                                                              Malhado                         
                                                                                                       Andreia Valente, nº 3